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Tratamento do Calcanhar Doloroso Com Ondas de Choque |
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Hospital São Camilo (São Paulo/SP) - Antigo Centro Hospitalar Don Silvério Gomes Pereira
Por: Robles, JE - Orientado por: Deckers, BJEM -
Com a colaboração de: Hoyos, JB -
Mileto, ACP - Cuppoloni, MM - Anselen, I - Sá, NS de - Miguel Jr., M
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Resumo:
O objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito de diminuição da dor usando ondas de
choque ESWT (Extracorporeal Shock Wave Terapy), no calcanhar doloroso.
Quinze pacientes (17 pés), com sintomas dolorosos por um período variável de 01 mês
até 25 anos, foram submetidos ao tratamento de maneira prospectiva, tendo sido
analisados os parâmetros: dor à marcha, dor no início da marcha, dor à pressão,
restrições às atividades da vida diária (trabalho, lazer e sono). Foi utilizada uma escala
analógica de dor.
Foram selecionados pacientes consecutivos, com dor, independente de terem sido
submetidos a quaisquer outros tratamentos prévios.
As ondas de choque foram aplicadas utilizando-se um equipamento de litorripsia
extracorpórea, Dornier Compac S. O ponto de aplicação das ondas de choque foi
determinado procurando-se o ponto de maior dor, descrito pelo paciente.
Foram realizadas 3 aplicações de 2000 impulsos de baixa energia de uma semana. O
segmento foi feito, uma semana, um mês e seis meses após a última aplicação.
Houve melhoria da dor em 88,8 % dos casos. Nenhum efeito colateral significativo foi
observado.
Introdução:
A dor no calcâneo é uma síndrome caracterizada por dor e hiperestedia localizada na
parte interior do calcâneo, que tipicamente é intensa no iníco da marca e posteriormente
melhora em alguns passos. A etiologia, patologia e tratamento ainda não estão bem
definidos. A incidência encotra-se entre 9 - 20%
prevalecendo com indivíduos de idade
média e idosos principalmente de sexo feminino.
Como tentativa de tratamento tem sido utilizadas palmilhas, antiinflamatórios orais e
locais (infiltração), radioterapia, fisioterapia e cirurgia nos casos refratários ao tratamento
clínico. A utilização de ondas de choque é um procedimento estabelecido para o
tratamento dos mesmos por ser um procedimento não invasivo.
A partir de meados dos anos oitenta começou a ser utilizada a ESWT para o tratamento
de pseudoartroses, com bons resultados. Foi observado também um efeito analgésico com o tratamento com alta energia, efeito analgésico este reprodutível mesmo com
níveis de baixa energia. Dahamen em Hamburgo e
haist, em Mainz começaram a
implementar o uso da ESWT em partes moles. Pouco se conhece sobre a dose exata na
aplicação de ondas de choque na interface Tendão - Osso e sobre os mecanismos de ação no seu efeito analgésico. Existem algumas hipóteses:
- Teoria
do Controle de Entrada;
- formação local de substâncias inibidoras da dor;
- influência sobre os potenciais dos receptores da célula nervosa.
Com o objetivo de avaliar a efetividade da terapia com ondas de choque (ESWT) no
calcanhar doloroso incluindo esporão de calcâneo, faciste plantar e aquilodínea, tratamos,
de forma prospectiva, 15 pacientes (17 pés), utilizando para a avaliação uma escala
analógica visual.
Material e Métodos:
Avaliamos de forma prospectiva 15 pacientes (17 pés), com queixa típica de calcanhar
doloroso, incluindo um paciente com aquilodínea bilateral (ver tabela 1 abaixo)
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Tabela 1: Relação dos Pacientes Com Calcanhar Doloroso Tratados Com ESWT
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Foram excluídos os pacientes com alteração neurológica, vascular, infecção, tumores,
artrose ou coagulopatias. No total foram estudados 5 homens e 10 mulheres com idade
entre 42 e 73 (média de 58,5) com o pé direito afetado em 9 pacientes e o esquerdo em
8 pacientes. O tempo de evolução dos sintomas foi entre 01 mês e 25 anos.
A terapia foi realizada com o gerador de ondas de choque Litotripsor Dornier S que
utiliza um emissor eletromagnético sobre um transdutor, que permite fluxos de densidade
entre 0,03 e 0,5mJ/mm2².
O paciente foi posicionado com o pé lateralmente ao transdutor de tal forma que a onda
era recebida perpendicularmente ao maior eixo do calcâneo e tangencialmente à
superfície ósse plantar do calcâneo. Para localizar a área a ser atingida utilizamos o
ponto de maior dor descrita pelo paciente.
Foram realizadas 3 sessões de 2000 disparos com uma densidade de fluxo de energia
entre 0,03 e 0,08 mJ/mm², cada uma com intervalo de 7 dias em 13 pacientes, e duas
sessões de 2000 disparos com a mesma intensidade de fluxo e o mesmo intervalo em
2 pacientes (esses pacientes por diferentes motivos não compareceram para a última
sessão). As intensidades mencionadas foram aplicadas em forma progressiva de acordo
com a tolerância do paciente. Foi utilizada sedação com Fentanil® endovenoso em uma
paciente com sintomas severos e pouca tolerância à dor.
A avaliação dos pacientes foi realizada utilizando uma escala analógica visual (vas) de
0 - 10 pontos, correspondendo o valor 0 a "paciente sem dor" e 10 a "paciente com dor
intensa". O interrogatório incluí dor à marcha expressa em metros (0, < 100, < 1000,
> 1000), dor no início da marcha, dor à pressão local e restrição às atividades da vida
diária (trabalho, lazer, sono).
Os resultados foram avaliados de acordo aos critérios de Roles e Maudalex:
- muito bom: sem dor, sem alteração do trabalho ou lazer;
- bom: alguma queixa residual, sem interfirir no trabalho ou lazer;
- satisfatório: dor residual, trabalho e lazer com limites, com tratamento clínico residual
necessário;
- não satisfatório: sem alteração da dor.
Foram
realizados avaliações em uma semana, um mês, (tabela 3) e seis meses (tabela 4)
após cada aplicação.
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Tabela 2: Avalização Após 3 e 6 Meses
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(... continua ») |
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