(Trabalho apresentado no Congresso DAE Ombro e Cotovelo)
Introdução: A utilização das ondas de choque no tratamento das afecções ortopédicas teve início na
Alemanha nos meados dos anos 80, e no Brasil desde 1998. A tendinite calcárea acomete
principalmente o tendão do supra espinhoso provodando dor e limitação da amplitude
dos movimentos do ombro, tendo como origem
um processo de isquemia local e
inflamação crônica com preciptação de depósitos calcáreos no tendão do supra espinhoso.
Os tratamentos habituais com medicação, repouso, infiltrações e fisioterapia melhoram
a sintomatologia em cerca de 60% dos casos. Para os casos em que o tratamento
habitual não obteve sucesso, a terapia por ondas de choque é indicada como alternativa
ao tratamento cirúrgico.
Casuística:
De outubro de 1998 a novembro de 2001 foram tratados 42 pacientes. 18 do sexo
feminino e 24 do masculino, com idade média de 45 anos, variando de 38 a 69 anos.
Todos já haviam sido tratados previamente por pelo menos 6 meses sem melhora da dor
e da mobilidade. Oexame clínico era negativo para lesão do maguito rotator e a maioria
possuía exames de imagem comprovando este fato.
Técnica:
O tratamento é realizado em regime ambulatorial, sem preparo prévio. Utilizamos um
litotripsor da marca Dornier, sendo aplicadas 2000 ondas de choque de baixa e média
intensidade, num total de 3 aplicações, com intervalo de uma semana. A lesão foi localizada por auxíio de radioscopia ou ultra-som.
Mecanismo de Ação:
As ondas de choque agem de diversas maneiras:
a) ação mecânica causando a formação de de microbolhas que eclodem formando migrofragmentação da calcificação;
b) ação nalgésica por intenso estímulo local liberando enzimas locais que atuam na fisiologia da dor;
c) ação vascular provocando micro-hematomas que melhoram a irrigação e oxigenação
local e conseqüente reabsorção dos depósitos calcáreos.
Resultados:
Os pacientes foram reavaliados semanalmente no primeiro mês após as aplicações,
quanto à dor e a mobilidade articular, e as radiografias eral realizadas mensalmente para
avaliara reabsorsão dos depósitos calcáreos.
Entre os 42 pacientes obtivemos melhora da dor logo nas primeiras semanas e da
mobilidade articular, progressivamente, em 80% dos casos em um prazo de 3 meses, o que se manteve nos controles nos meses subseqüentes.
A calcificação começou a ser reabsorvida após a terceira semana, e após em 3 meses, em
média, desapareceu ou diminuiu de maneira significativa em 70% dos casos.
Complicações:
A maioria dos pacientes queixou de dor de média intensidade durante a aplicação com
melhroa com uso de analgésicos orais. Não ocorreram outras complicações tanto na
pele como profundamente.
Conclusão:
A terapia por ondas de choque é um tratamento consagrado em outros países, não
apresenta efeitos colaterais importantes, não requer internação ou anestesia, e
demonstra bons resultados naqueles pacientes que não obtiveram sucesso com os
tratamentos clássicos habituais para a tendinite calcárea do ombro.
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