O Tratamento Por Ondas de Choque (radiais ou focais) é uma nova modalidade de tratamento para os pacientes com problemas músculo esqueléticos tais como tendinites que não melhoram com os tratamentos habituais, dores musculares crônicas e falhas na consolidação de fraturas.

Por que a maioria dos pacientes costumam melhorar com os tratamentos habituais porém muitos ficam com dor e limitação persistente ?

Um das explicações é a formação de tecido chamado fibrose nas lesões crônicas com alteração dos tecidos dos tendões e músculos que perdem a elasticidade e sofrem diminuição da circulação sanguínea local gerando dor persistente e espessamento do tendão, deixando de ser somente uma inflamação (tendinite) passando para um estágio crônico degenerativo (tendinose).

As Ondas de Choque são um tipo de energia mecânica e não um choque elétrico, que penetra no tecido lesado e provoca um fenômeno chamado cavitação, onde microbolhas se rompem provocando microrroturas no tecido inflamado, determinando a liberação de substâncias anti-inflamatórias locais e também estimulando um aumento na microcirculação local.

Este aumento de nutrição no local leva a uma progressiva cura natural do processo inflamatório-degenerativo.

Existem vários modelos de máquinas que, por trabalharem com diferentes intensidades da onda aplicada no local de tratamento, podem tratar tanto lesões musculares como tendinosas ou ósseas. Podemos controlar a intensidade da energia com que as ondas de choque atingem o local a ser tratado. Quando utilizamos baixa energia produzimos alívio da dor e relaxamento muscular, quando se utiliza média energia ocorre a reparação tecidual e com alta energia pode ocorrer a estimulação óssea.

As ondas apenas atuam em tecidos lesionados e não causam nada em tecidos normais.

Ondas de Choque na Medicina

O tratamento extracorpóreo por ondas de choque foi introduzida na medicina na primeira metade dos anos 80 para desintegração de cálculos renais. Desde então, as ondas de choque têm mudado substancialmente o tratamento de uro litíase (pedra no rim).

Com o passar dos anos, a terapia por ondas de choque firmou-se como o padrão, passando a ser a primeira escolha para o tratamento de cálculos renais e ureterais.

Ondas de Choque na Ortopedia

A partir da década de 90 o avanço tecnológico representado pelo tratamento por ondas de choque atingiu a ortopedia e caminha para se consolidar como uma excepcional alternativa de tratamento, principalmente nos casos mais resistentes.

A ideia do uso da terapia por ondas de choque para doenças ortopédicas é ainda mais ambiciosa que na urologia. É estimular o processo de cura biológica em tendões, tecidos circunvizinhos e ossos (na urologia se utilizam as ondas de choque apenas para desintegração de cálculos renais). As diferenças, além dos objetivos biológicos, estão na intensidade e na focalização das ondas de choque.

Apesar dos resultados extremamente favoráveis, até o momento o mecanismo exato de funcionamento das ondas de choque no organismo não é totalmente conhecido.

Há duas teorias básicas que explicam seu efeito benéfico no sistema musculoesquelético. Uma baseia-se em micro lesões que as ondas provocam no tecido-alvo (tendões, periósteo, osso esponjoso), sem danificar os tecidos adjacentes. Estas micro lesões serão estímulo inicial para o processo de reparação.

Uma segunda teoria baseia-se na produção de óxido nítrico na área atingida pelas ondas de choque. Este óxido nítrico produzido desencadeia uma reação enzimática que estimula o crescimento vascular na área atingida.

A ortopedia e a traumatologia já usam a terapia extracorpórea por ondas de choque para tratar tendinites de inserção, depósitos de cálcio em tendões e a não união ou retardo de consolidação óssea.

A terapia por ondas de choque aplicada ao sistema musculoesquelético pode iniciar os seguintes processos:

  • alterações estruturais no tecido;
  • estimulação de crescimento ósseo;
  • estimulação do processo regenerativo do tecido
  • alterações estruturais no depósito de cálcio seguido por reabsorção de cálcio pelo organismo.

Este método deverá ser prescrito somente por um médico, que fará uma avaliação clínica de cada caso.

O tratamento não é invasivo. Não há nenhum tipo de sangramento visível. Não há cicatriz. É totalmente ambulatorial. Não há a necessidade de hospitalização. Na sala de tratamento, o paciente será acomodado de maneira a estar sentado ou deitado, dependendo da região a ser tratada. O equipamento será acoplado diretamente na área do corpo a ser tratada e em seguida se iniciará a emissão das ondas de choque.

Um tratamento de terapia por ondas de choque tem duração média de 30 minutos, desde acomodar o paciente até o seu término.